segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Hoje, dia de São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas.
É na cruz que o Santo Amor a alma amante purifica
Quando férvida constante a Ele toda se dedica...
Quem me dera descrever o tesouro tão divino
que o grande Deus Uno e Trino
colocou no padecer
Mais ainda é felizardo quem no seu puro penar
é em Cristo transformado sem a sombra do gozar
É na cruz que o Santo Amor a alma amante purifica
Quando férvida constante a Ele toda se dedica...
Quão feliz o coração que, na cruz abandonado,
se consome em santo amor entre os amplexos do Amado!
Oh, feliz é quem padece sem apego a seu sofrer, Para mais amar
Quem o fere, só buscando a si morrer.
É na cruz que o Santo Amor a alma amante purifica
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Hoje, dia de Santa Teresa de Ávila - Esplendor do Carmelo
Vivo sin vivir en mí, y de tal manera espero, que muero porque no muero.
Vivo ya fuera de mí después que muero de amor; porque vivo en el Señor, que me quiso para sí; cuando el corazón le di puse en él este letrero: que muero porque no muero.
Esta divina prisión del amor con que yo vivo ha hecho a Dios mi cautivo, y libre mi corazón; y causa en mí tal pasión ver a Dios mi prisionero, que muero porque no muero.
¡Ay, qué larga es esta vida! ¡Qué duros estos destierros, esta cárcel, estos hierros en que el alma está metida! Sólo esperar la salida me causa dolor tan fiero, que muero porque no muero.
¡Ay, qué vida tan amarga do no se goza el Señor! Porque si es dulce el amor, no lo es la esperanza larga. Quíteme Dios esta carga, más pesada que el acero, que muero porque no muero.
Sólo con la confianza vivo de que he de morir, porque muriendo, el vivir me asegura mi esperanza. Muerte do el vivir se alcanza, no te tardes, que te espero, que muero porque no muero.
Mira que el amor es fuerte, vida, no me seas molesta; mira que sólo te resta, para ganarte, perderte. Venga ya la dulce muerte, el morir venga ligero, que muero porque no muero.
Aquella vida de arriba es la vida verdadera; hasta que esta vida muera, no se goza estando viva. Muerte, no me seas esquiva; viva muriendo primero, que muero porque no muero.
Vida, ¿qué puedo yo darle a mi Dios, que vive en mí, si no es el perderte a ti para mejor a Él gozarle? Quiero muriendo alcanzarle, pues tanto a mi Amado quiero, que muero porque no muero.
Santa Teresa d’Ávila
Obras Completas, Burgos, Editorial "Monte Carmelo”
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Belíssima Poesia

Tenho em Tua divina Providência
Uma inquebrantável confiança,
Ó Jesus, volta e retorna a mim
Porque me abandono toda em Ti.
No dia em que me disseste: “Vem a mim”,
Jesus, respondi a Tua voz
Então, quantas lágrimas verti
Oh, lembras-Te de minhas angustias?…
Lembras-te de meu santo desejo
De responder a Teu divino apelo,
De viver solitária no Carmelo,
De Te consagrar minha fraca vida?
Perdoa um momento de impaciência,
Senhor, faltou-me a confiança,
Mas pensa, tinha um tal desejo
De deixar tudo por Ti, de sofrer.
Prometo-Te, ó meu Jesus.
Me abandono à Tua Providencia,
Nada alterara minha confiança.
Jesus, meu Salvador, Bondade Suprema,
Apesar de meu desejo, ardente, extremo,
Não aspiro, ideal Beleza,
Senão a fazer sempre Tua vontade.
Jesus em quem minha esperança se funde,
Se não posso responder a Tua voz,
Oh, quem poderá ao menos, neste mundo
Me impedir de me dar a Ti?…
Quem poderá arrebatar-me Teu Amor,
Divino Esposo, Jesus, ó minha vida!
Amar-Te e Te devolver Teu Amor,
Tal foi sempre meu santo desejo.
Oh, acalma-te, minha impaciência!
Minha alma, em Santa Providencia.
Abandona teus mais caros desejos,
Ele goste de te ver assim sofrer.
Neste mundo, neste vale sombrio,
Jesus, Tu dignas-Te reservar-me
Uma parte doce, uma parte feliz
Que o Mundo não me pode roubar.
Por esta parte que me escolheste,
Ó meu Deus, durante toda a minha vida,
O grito de meu coração será “Obrigado”.
Oh! Sim, obrigado, meu Celeste Amigo.
Agora abandono-me a Ti,
Numa deliciosa confiança.
Glória à Tua divina Providencia,
Glória a Deus, glória sempre a Ti!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Meditação para os Sacerdotes
domingo, 9 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Viva Santo Inácio
quinta-feira, 30 de julho de 2009
São Leopoldo Mandic30 de julho (1866-1942)
Leopoldo Mandic nasceu na Dalmácia, atual Croácia, em 12 de maio de 1866. Os pais, católicos fervorosos, batizaram-no com o nome de Bogdan, que significa "dado por Deus". Desde pequeno apresentou como características a constituição física débil e o caráter forte e determinado. O mais novo de uma família numerosa, completou seus estudos primários na aldeia natal. Nessa época, a região da Dalmácia vivia um ambiente social e religioso marcado por profundas divisões entre católicos e ortodoxos. Essa situação incomodava o espírito católico do pequeno Bogdan, que decidiu dedicar sua vida à reconciliação dos cristãos Orientais com Roma. Aos dezesseis anos, ingressou na Ordem de São Francisco de Assis, em Udine, Itália, adotando o nome de Leopoldo. Foi ordenado sacerdote em Veneza, onde concluiu todos os estudos em 1890. Sua determinação era ser um missionário no Oriente e promover a unificação dos cristãos. Viajou duas vezes para lá, mas não em missão definitiva. Leopoldo foi destinado aos serviços pastorais nos conventos capuchinhos por causa da saúde precária. Ele era franzino, tinha apenas um metro e quarenta de altura e uma doença nos ossos. Com grande espírito de fé, submeteu-se à obediência de seus superiores. Iniciou, assim, o ministério do confessionário, que exerceu até a sua morte. No início, em diversos conventos do norte da Itália e, depois, em Pádua, onde se tornou "o gigante do confessionário". A cidade de Pádua é famosa por ser um centro de numerosas peregrinações. É em sua basílica que repousam os restos mortais de santo Antônio. Leopoldo dedicava quase doze horas por dia ao ministério da confissão. Para os penitentes, suas palavras eram uma fonte de perdão, luz e conforto, que os mantinham na fidelidade e amor a Cristo. Sua fama correu, e todos o solicitavam como confessor. Foi quando ele percebeu que o seu Oriente era em Pádua. E fez todo o seu apostolado ali, fechado num cubículo de madeira, durante trinta e três anos seguidos, sem tirar um só dia de férias ou de descanso. Pequenino e frágil, com artrite nas mãos e joelhos, e com câncer no esôfago, ofereceu toda a sua agonia alegremente a Deus. Frei Leopoldo Mandic morreu no dia 30 de julho de 1942, em Pádua. O seu funeral provocou um forte apelo popular e a fama de sua santidade espalhou-se, sendo beatificado em 1976. O papa João Paulo II incluiu-o no catálogo dos santos em 1983, declarando-o herói do confessionário e "apóstolo da união dos cristãos", um modelo para os que se dedicam ao ministério da reconciliação.
Fonte: www.paulinas.org.br
sexta-feira, 24 de julho de 2009
São Pedro Julião Eymard
[...]
Exteriormente é modesta. Não se faz notar pela severidade nem pela negligência. Sempre humilde e mansa, traz o sinal da simplicidade em tudo que realiza.
Modesta em relação ao mundo. Maria sacrifica com generosidade a condição de gestante; vai imediatamente, vencendo grande distância, visitar sua parenta Isavel, levando felicitações e auxílio. Durante três meses acompanha e serve, trazendo grande alegria ao lugar. Somente quando a glória do Filho exigir aparecerá em público. Assistirá às bodas de Caná sem nenhum privilégio. A modéstia faz com que pratique a caridade de acordo com a ocasião.
Modesta no cumprimento dos deveres.Desempenha com suavidade, sem precipitações, sempre alegre e disposta a abraçar uma nova obrigação; não deixa transparecer as contrariedades, não busca consolações e pela naturalidade não atrai a atenção dos demais. Modelo exemplar para os adoradores do Santíssimo Sacramento; cuja vida se compõe de pequenos atos e de pequenos sacrifícios, que somente Deus deve conhecer e recompensar; cuja glória e conforto consistem na filial e humilde dedicação no cumprimento dos deveres, ambicionando agradar o Mestre pela contínua imolação de si mesmos.
Modesta na piedade. Elevada ao mais alto grau de contemplação que uma criatura possa atingir, vivendo no constante exercício do perfeito amor, exaltada acima dos anjos e constituída Mãe de Deus, mesmo com todas essas prerrogativas, serve o Senhor com simplicidade; sujeita-se às prescrições da lei, assiste às festas, reza junto com os demais fiéis; em nada se faz notar, nenhum exercício exterior demonstra sua piedade e o seu fervor. Assim deve ser a piedade do cristão: comum em suas práticas, simples em seus meios, modesto no agir, evitando chamar a atenção, fruto sutil do amor próprio que leva à vaidade e à ilusão.
Modesta nas virtudes. Possui todas as virtudes em grau supremo, praticados com suma perfeição, embora de forma simples e usual. Em todos os favores recebidos, a humildade vê somente a bondade de Deus, somente agradece. Agradecimento escondido e sem glória humana. Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré ? (Jo 1, 46). Ninguém presta atenção em Maria, passa totalmente desapercebida.
Eis o segredo da Perfeição: a simplicidade, mesmo quando ignorada, saber conservá-la. Uma virtude acentuada fica exposta, uma virtude louvada pode trazer a ruína; a flor que mais chama a atenção, murcha depressa.Afeiçoemo-nos às pequenas virtudes de Maria de Nazaré, que germinam aos pés da cruz, à sombra de Jesus; deste modo, não temeremos as tempestades que abatem os cedros nem o raio que cai no cimo da montanha.
Modesta nos sacrifícios. Aceita em silêncio e conformidade o exílio no Egito. Diante da dúvida de José, permanece em silêncio, confia na providência. Traspassada pela dor, acompanha o Filho que carrega a cruz, não grita nem lamenta exteriormente. No Calvário, mergulhada em sua dor, sofre calada e se despede do Filho num olhar mudo.
Maria é também modesta em sua glória. Como Mãe de Deus, possuía todos os direitos e todas as homenagens, entretanto abraça a provação e o sacrifício. Não aparece nos triunfos do Filho, porém está aos pés da cruz.
Para ser filhos desta Mãe, devemos nos revestir de modéstia, deve ser tema usual de nossa meditação. A modéstia é virtude régia de um adorador do Santíssimo Sacramento, pois fornece a exterioridade dos sentidos na presença de Deus.
Extraído da Obra Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento: Um mês com Maria, de São Pedro Julião Eymard, Editora Formatto, 2008, p.50-53
quarta-feira, 22 de julho de 2009

Respeito devido aos sacerdotes - Sta. Catarina de Sena
Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!
Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse, a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Santa Teresa e a Eucaristia
Quando eu me chegava à comunhão e recordava aquela altíssima Majestade que vira e pensava que era Ele que estava no Santíssimo Sacramento (tanto mais que muitas vezes quer o Senhor que eu O veja na hóstia), os cabelos se me eriçavam na cabeça e parecia que toda me aniquilava. Oh! Senhor meu! Mas se não encobrísseis vossa grandeza, quem ousara chegar tantas vezes a reunir coisa tão suja e miserável com tão grande Majestade? Bendito sejais, Senhor. Louvado sejais pelos anjos e por todas as criaturas, porque assim medis as coisas por nossa fraqueza para que, gozando de tão soberanas mercês, Vosso grande poder não nos assuste e, gente fraca e miserável que somos, não as ousemos gozar.Poderia nos acontecer o que, segundo sei ao certo, sucedeu a um lavrador. Encontrou um tesouro, que valia muito mais do que cabia no seu ânimo mesquinho; e vendo-se com aquela riqueza, deu-lhe uma tristeza tão grande que pouco a pouco veio a morrer de pura aflição, por não saber o que faria com o seu achado. Se não o encontrasse todo de uma vez, mas pouco a pouco lho fossem dando e sustentando com ele, viveria mais contente do que sendo pobre, e não lhe custaria a vida.Oh! Riqueza dos pobres, quão admiravelmente sabeis sustentar as almas e, sem que vejam tão grandes riquezas, pouco a pouco as ides mostrando! Quando eu vejo uma majestade tão grande dissimulada em coisa tão pouca como é a Hóstia, fico a admirar sabedoria tão imensa e não sei como me dá o Senhor ânimo e esforço bastante para chegar-me a Si; e se Ele, que me fez e ainda faz mercês tão grandes, ânimo não me desse, nem me seria possível dissimular, nem deixar de dizer aos brados tão grandes maravilhas. Pois que sentirá uma miserável como eu, carregada de abominações e que com tão pouco temor de Deus gastou a sua vida, ao se acercar deste Senhor de tão grande majestade, quando Ele quer que minha alma o veja? Uma boca que tantas palavras falou contra aquele mesmo Senhor, como se poderá juntar àquele corpo gloriosíssimo, cheio de pureza e piedade? E mais dói e aflige a alma, por não O haver servido, o amor que mostra aquele rosto de tanta formosura, com tão grande ternura e afabilidade — do que imprime temor a majestade que nEle se vê. Mas que poderia eu sentir nas duas vezes em que vi isso? Que direi?Uma vez, chegando-me à comunhão, vi com os olhos da alma dois demônios, mais claramente que com os olhos do corpo; tinham abominável figura. Parece-me que os seus cornos rodeavam a garganta do pobre sacerdote. E vi o meu Senhor, com a majestade em que já falei, na Partícula que eu ia receber, posto naquelas mãos que claramente mostravam ser criminosas e entendi que estava aquela alma em pecado mortal. Que seria, Senhor meu, ver Vossa formosura entre figuras tão abomináveis! Estavam eles como amedrontados e espantados diante de Vós. E de bom grado parece que fugiriam se Vós os deixásseis ir. Deu-me enorme perturbação e não sei como pude comungar; fiquei com grande temor, parecendo-me que, se fora visão de Deus, não permitira Sua Majestade visse eu o mal que estava naquela alma. Disse-me o próprio Senhor que rogasse por ele e que me permitira aquela vista a fim de que eu entendesse a força que têm as palavras da consagração e como não deixa Deus de estar ali, por mau que seja o sacerdote que as diz; e para que eu visse a sua grande bondade pondo-se nas mãos do seu inimigo — tudo para meu bem e bem de todos. Entendi quão mais obrigados que os outros estão os sacerdotes a ser bons, que coisa terrível é tomarem indignamente este Santíssimo Sacramento, e quão senhor é o demônio da alma que está em pecado mortal. Sobejo proveito me fez esta visão e sobejo conhecimento me deu do que devia a Deus. Bendito seja para todo o sempre.
