quarta-feira, 15 de julho de 2009

Visões de Anna Catharina Emmerick


(...) A multidão dos exércitos que lutavam contra Nosso Senhor, era o número imenso daqueles que maltrataram de muitíssimos modos a Jesus Cristo, seu Redentor, real e substancialmente presente no Santíssimo Sacramento, com divindade e humanidade, com corpo e alma, com carne e sangue, debaixo das espécies de pão e vinho. Avistei entre esses inimigos de Jesus todas as espécies de profanadores do SS. Sacramento (...) Vi com horror todos esses ultrajes, desde o descuido, irreverência, abandono, até o desprezo, abuso e sacrilégios os mais horrorosos, o culto dos ídolos deste mundo, orgulho e falsa ciência e por outro lado, heresia e descrença, fanatismo, ódio e sangrenta perseguição. (...) Vi clérigos irreverentes, de todos os séculos, sacerdotes levianos, em pecado, sacrílegos celebrando o santo Sacrifício e distribuindo a sagrada Eucaristia; vi multidões de comungantes tíbios e indignos. (...) Vi muitas pessoas, seduzidas por mau exemplo e ensino pérfido, perderem a fé na presença real de Jesus na Eucaristia e deixarem de adorar nela humildemente seu Salvador. (...) Vi um grupo numeroso destes heresiarcas negar a presença de Jesus Cristo neste mistério do SS. Sacramento, negar também ter ele entregue este mistério à Igreja (...).

Extraído do livro: O Rosário e a Via-Sacra nas visões de Ana Catarina Emmerich, Introdução e Organização de Graça Pierotti. Edições Louva-a-Deus, 3ª Edição; págs.: 62,63.





“Descuido, irreverência, abandono, desprezo, abuso e sacrilégio”: Seis palavras que resumem bem nossa triste situação. Apesar de toda a polêmica que envolve a Beata Ana Catarina Emmerich, não há como negar a atualidade de suas visões. Cabe a nós, portanto, minorar o sofrimento de Nosso Senhor, através de uma postura digna e piedosa ante seu Sacratíssimo Mistério de Amor que é sua presença VIVA E REAL em nossos tabernáculos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

EM BREVE MAIS TEXTOS.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Uma das coisas mais ridículas que eu já li!! Acusação frívola, absurda, ridícula, ou seja, bem protestante...

IRMÃS – Convento-prostíbulo – 6.000 esqueletos de crianças - OSW
AGORA UMA BEM DESCARADA MESMO!
“Santo Ulrico, bispo de Augsburgo, contou que o papa Gregório VII, anos 1703-85, ordenara que se esvaziasse um aquário num convento de Monjas em Roma e encontraram 6.000 esqueletos de bebês! Diante desse horror, esse papa aboliu o Celibato, mas seus sucessores restabeleceram-no”.
VER: http://www.jesussite.com.br/acervoprint.asp?Id=200
Primeiro, uma correção: Gregório VII reinou no período 1073-1085. Não se trata, porém, de mentira; é apenas erro de digitação verificando-se a troca do 0 pelo 7.
A MENTIRA VEM AQUI: Segundo sua biografia, Santo Ulrico nasceu na Alemanha no ano 890. Ver:
http://www.effata.org.br/?system=news&action=read&id=306&eid=159&SID=e0b2c90422af51e6b6c44a8e3bf6730b.
Para contar alguma coisa do Papa Gregório VII, Santo Ulrico deveria ter pelo menos 183 anos de idade (faça a conta: 1073 - 890 = 183)
Outra: Para que a água encobrisse, ocultando os 6.000 esqueletos, deveria ter, pelo menos 240 m³ o que corresponde a seis piscina médias de 40 m³. Era um aquário um tanto!!! everia ter sido colocado dentro do convento das freirinhas sem-vergonha talvez para enfeitar o seu refeitório!!!!
Agora gostaria que os evangélicos encontrassem uma mentira semelhante nos sites católicos. Puts!!! E tem evangélico que acredita em histórias deste jaez, por sinal, muito mal contadas!
Esta sim, tanto católico como evangélico tem que admitir que é uma baita de uma mentira!
Imagine só quantas freiras tinham neste convento?6000 fetos é aborto pra caramba esta mentira foi das grossas mesmo…

Extraído do blog: cai a farsa.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Loucuras de Lutero

Lutero, Martinho. "Carta aberta sobre a Tradução". Trad. de Mauri Furlan. In: Clássicos da Teoria da Tradução. Antologia bilíngüe, vol. 4, Renascimento. Florianópolis: NUPLITT, 2006. (p. 95-115)

Martinho Lutero
CARTA ABERTA SOBRE A TRADUÇÃO
Ao honorável e distinto N., meu estimado senhor e amigo.
Graça e paz em Cristo, honorável, distinto, caro senhor e amigo! Recebi sua carta com as duas questões ou perguntas, sobre as quais solicita minha posição: primeiramente, por que eu, no terceiro capítulo da Epístola aos Romanos, versículo 28, traduzi as palavras de Paulo, Arbitramur hominem iustificari ex fide absque operibus, como "Sustentamos que o homem é justificado somente pela fé, sem as obras da lei"; e além disso, nela também observa que os papistas se enfurecem extremamente porque no texto de Paulo não consta a palavra sola (somente) e não se poderia tolerar um tal acréscimo de minha parte à Palavra de Deus etc. Depois, se também os santos mortos intercedem por nós, porque lemos que até os anjos intercedem por nós etc. À primeira pergunta, se desejarem, podem responder aos papistas de minha parte o seguinte:
Em primeiro lugar, se eu, doutor Lutero, tivesse podido enganar-me de que todos os papistas juntos fossem tão hábeis a ponto de saberem traduzir bem e corretamente um único capítulo da Escritura, então teria sido muito humilde e lhes teria solicitado ajuda e assistência para a tradução em alemão do Novo Testamento. Mas como eu sabia e ainda posso ver que nenhum deles sabe realmente como se deve traduzir ou falar em alemão, poupei-me a mim e a eles um tal esforço. No entanto, percebe-se bem que eles aprendem a falar e a escrever em alemão a partir de minha tradução e de meu alemão, e roubam-me em muito minha língua, que até então pouco conheciam; porém não me agradecem por isso, mas preferem utilizá-la contra mim. Contudo, é com prazer que lhes proporciono isso, pois me agrada estar ensinando a falar a meus discípulos ingratos, que ademais são meus inimigos.
Por outro lado, podem dizer que eu traduzi o Novo Testamento como melhor pude e o mais consciencioso possível; e não obriguei ninguém a lê-lo, mas dei liberdade, apenas prestando um serviço àqueles que não podem fazê-lo melhor. A ninguém está proibido apresentar uma tradução melhor. Quem não quiser lê-lo que o deixe estar. Não peço nem louvo a ninguém por isso. É meu Testamento e minha tradução, e deve ser e permanecer meu. Se nalguma parte dele eu errei (coisa que não sei, pois não quis traduzir conscientemente errado uma letra sequer por deliberação), não vou por causa disso tolerar os papistas como juízes, pois eles ainda têm orelhas muito longas e seu zurro é muito fraco para julgar minha tradução. Eu sei muito bem, e eles sabem muito menos que o animal do moleiro, quanta arte, aplicação, razão e entendimento compete ao bom tradutor, pois que nunca tentaram.
Diz-se: "Quem constrói junto ao caminho tem muitos mestres". O mesmo acontece comigo. Os que nem sabiam falar corretamente, quanto mais traduzir, tornaram-se sobretudo meus mestres, e devo ser discípulo de todos eles. Mas se eu tivesse que lhes perguntar como se deveria traduzir as duas primeiras palavras do primeiro capítulo do Evangelho de Mateus, "liber generationis", nenhum deles teria sabido dar um cacarejo sequer, e agora julgam, os bons companheiros, a obra inteira. O mesmo aconteceu a São Jerônimo. Porque ele traduziu a Bíblia, todo mundo foi seu mestre, e ele era o único que não sabia nada, e julgavam a obra do bom homem aqueles que não teriam sido dignos de limpar-lhe os sapatos. Por isso é necessária muita paciência àquele que quiser fazer algo bom para o público, pois o mundo quer ser especialista e tem sempre que enfrear o cavalo pelo rabo, ensinar tudo sem nada saber. É sua maneira de ser, da qual não conseguem abdicar.
Contudo, gostaria sinceramente de ver um papista que se sobressaísse e traduzisse, por exemplo, uma das Epístolas de São Paulo ou de um profeta, desde que para isso não se servisse do alemão e da tradução de Lutero; então veríamos um alemão ou uma tradução elegante, bela, admirável! Pois já vimos o embusteiro de Dresden1, que se apropriou de meu Novo Testamento (não quero mais mencionar seu nome em meus livros; ademais, ele também tem agora seus juízes e é bem conhecido). Ele confessa que meu alemão é suave e bom; percebeu que não podia fazer melhor e quis destroçá-lo. Assim, tomou meu Novo Testamento, quase palavra por palavra, da forma como eu o compus, retirou meu prefácio, comentários e meu nome, depois acrescentou seu nome, prefácio e comentários, e desta forma vendeu meu Novo Testamento com seu nome. Ah, queridos filhos, quanta dor me causou quando seu príncipe, num prefácio horroroso, condenou e proibiu ler o Novo Testamento de Lutero, e além disso recomendou a leitura do Novo Testamento do embusteiro, que na verdade é o mesmo que Lutero compôs.
E para que ninguém aqui pense que estou mentindo, coloque ambos os Testamentos diante de si, o de Lutero e o do embusteiro, compare-os entre si, e verá quem é o tradutor de ambos. Pois o que ele remendou e alterou em uns poucos trechos, ainda que nem tudo me agrade, bem o posso tolerar, e não me incomoda particularmente, enquanto diz respeito ao texto. Por isso eu nunca quis escrever algo em contra, mas tive que rir da grande sabedoria com que se caluniou, condenou e proibiu tão horrendamente meu Novo Testamento quando foi publicado sob meu nome, mas tiveram que lê-lo quando foi publicado sob outro nome. No entanto, que virtude é essa de difamar e desonrar o livro de alguém, depois roubá-lo e publicá-lo sob nome próprio, buscando assim honras e renome através do caluniado trabalho alheio; deixo aos seus juízes classificar. Entrementes, para mim é o bastante e estou contente que meu trabalho (como também se gloria São Paulo2) seja também fomentado por meus inimigos, e o livro de Lutero sem o nome de Lutero seja lido sob o nome de seus inimigos. Como poderia eu vingar-me melhor?
Voltando novamente à questão. Se o seu papista quer incomodar-se bastante com a palavra sola-somente, diga-lhe logo: o doutor Martinho Lutero quer assim e diz que papista e asno é a mesma coisa. "Sic uolo, sic iubeo, sit pro ratione uoluntas"3 ["assim quero, assim ordeno, tome-se a vontade por razão"]. Pois não queremos ser alunos nem discípulos dos papistas, mas seus mestres e juízes. Queremos por uma vez também gabar-nos e vangloriar-nos com essas cabeças de asno. E como São Paulo se gloria contrapondo-se aos santos insensatos4, assim também eu quero gloriar-me contrapondo-me a esses meus asnos. Eles são doutores? Eu também. Eles são eruditos? Eu também. Eles são pregadores? Eu também. Eles são teólogos? Eu também. Eles são argumentadores? Eu também. Eles são filósofos? Eu também. Eles são dialéticos? Eu também. Eles são preletores? Eu também. Eles escrevem livros? Eu também.
E quero continuar gloriando-me: Eu sei interpretar os salmos e os profetas; eles não sabem. Eu sei traduzir; eles não sabem. Eu sei rezar; eles não sabem. E para falar de coisas menores: eu entendo sua própria dialética e filosofia melhor do que todos eles juntos. E além disso sei deveras que nenhum deles entende seu Aristóteles. E se há alguém entre todos eles que entenda corretamente um prefácio ou um capítulo de Aristóteles, deixarei que me açoitem. Não estou agora exagerando, pois fui educado e adestrado desde a juventude em toda sua arte, e sei muito bem quão profunda e vasta ela é. Da mesma forma eles sabem muito bem que eu sei e posso tudo o que eles podem. Não obstante, essa gente insana se comporta comigo como se eu fosse um hóspede em sua arte, que tivesse chegado apenas hoje pela manhã e nunca tivesse visto nem ouvido o que eles estão aprendendo ou podem fazer; assim tão maravilhosamente ostentam sua arte e me ensinam o que eu há vinte anos gastei em solas de sapato; de forma que eu também, em resposta a todos seus berros e gritos, tenho que cantar com aquela rameira: "Faz sete anos que eu sei que os pregos das ferraduras são de ferro".
Valha isto como resposta à sua primeira pergunta; e rogo-lhes que a tais asnos e seus berros inúteis por causa da palavra sola não respondam nada mais nem diferente disso: Lutero quer mantê-la assim e diz que é doutor acima de todos os doutores do papado inteiro; por isso deve permanecer aí. Doravante quero apenas desprezá-los e tê-los desprezado, enquanto são pessoas – queria dizer asnos – desta classe. Pois entre eles há uns patetas descarados que nunca aprenderam nem sua própria arte, a dos sofistas, como o doutor Schmidt e o doutor Rotzlöffel5 e seus semelhantes, e colocam-se contra mim nesta questão, que está acima não apenas da sofistaria, mas também, como diz São Paulo6, acima da sabedoria e da razão de todo mundo. Realmente, um asno não precisa cantar muito: é logo reconhecido pelas orelhas.
A vocês, porém, e aos nossos quero mostrar por que eu quis usar a palavra sola, embora em Romanos 3, 28 não tenha utilizado sola, mas solum ou tantum. Com quanta exatidão vêem meu texto, os asnos! Contudo, utilizei em outro lugar sola fide, e quero manter ambas, solum e sola. Ao traduzir, esforcei-me em escrever um alemão puro e claro. E aconteceu-nos muitas vezes passarmos catorze dias, três, quatro semanas, buscando e perguntando-nos por uma única palavra, e, contudo, às vezes não a encontramos. Em Jó trabalhamos o mestre Philipp, Aurogallus e eu, e, às vezes, em quatro dias conseguíamos aprontar apenas três linhas. Meu caro, agora está traduzido e pronto. Qualquer um pode ler e entendê-lo. Doravante pode um leitor percorrer com os olhos três, quatro páginas sem tropeçar uma vez sequer, mas não percebe quantos paus e pedras havia ali onde agora caminha como que sobre uma tábua aplainada, onde tivemos que suar e nos angustiar até tirarmos os paus e as pedras do caminho para que se pudesse prosseguir tão bem. É fácil arar quando o campo está limpo! Mas arrancar a floresta e os tocos e preparar o terreno, isso ninguém quer fazer. Não se deve esperar do mundo qualquer gratidão. Nem o próprio Deus recebe gratidão por causa do sol, do céu e da terra, nem pela morte de seu próprio filho. Que o mundo seja e continue sendo em nome do diabo, porque não quer outra coisa.
Do mesmo modo, eu sabia muito bem que em Romanos 3 não havia a palavra solum no texto latino ou grego, e não precisavam me ensinar isso os papistas. É verdade, estas quatro letras s-o-l-a, que as cabeças de asno admiram como as vacas a uma nova porteira, não estão no texto. Eles não vêem que isso corresponde perfeitamente ao sentido do texto, e, quando se quer traduzir com clareza e consistência em alemão, deve estar presente, porque eu quis falar em alemão, não em latim nem em grego, quando me propus falar em alemão ao traduzir. Isso, porém, é propriedade de nossa língua alemã, que, quando usada para tratar de duas coisas, das quais uma é afirmada e outra negada, necessita da palavra solum-allein, acompanhando a palavra nicht ou kein. Assim, por exemplo, quando se diz: "Der Baur bringt allein Korn, und kein Geld" ["O camponês traz somente grãos e nenhum dinheiro"]. "Nein, ich hab wahrlich jetzt nicht Geld, sondern allein Korn" ["Não, realmente agora não tenho dinheiro, mas apenas grãos"]. "Ich habe allein gegessen und noch nicht getrunken" ["Eu somente comi e ainda não bebi"]. "Hast du allein geschrieben und nicht durchgelesen?" ["Apenas escreveste e não leste?"]. E inúmeras formas semelhantes no uso diário.
Se tanto a língua latina como a grega não procedem desta forma em todos estes idiomatismos, a alemã procede assim, e é de sua propriedade usar a palavra allein a fim de que a palavra nicht ou kein resulte mais plena e clara. Pois, embora eu também possa dizer: "Der Baur bringt Korn und kein Geld", assim dita, a expressão kein Geld não soa tão plena e clara como quando eu digo: "Der Baur bringt allein Korn und kein Geld" ["O camponês traz somente grãos e nenhum dinheiro"]: aqui a palavra allein ajuda a palavra kein a produzir uma fala plena, alemã, clara. Pois não se tem que perguntar às letras na língua latina como se deve falar alemão, como fazem os asnos, mas sim há que se perguntar à mãe em casa, às crianças na rua, ao homem comum no mercado, e olhá-los na boca para ver como falam e depois traduzir; aí então eles vão entender e perceber que se está falando em alemão com eles.
Assim, quando Cristo fala: "Ex abundantia cordis os loquitur"7, se eu fosse seguir esses asnos, eles me apresentariam a letra e traduziriam assim: Aus dem Überfluss des Herzens redet der Mund ["Da abundância do coração fala a boca"]. Diga-me: isso é falar alemão? Que alemão entenderia uma coisa dessas? Que coisa é "abundância do coração"? Nenhum alemão poderia dizer isso, a não ser que quisesse dizer que alguém tem um coração demasiado grande ou tem coração demais; embora isto também não seja correto. Pois, "abundância do coração" não é alemão, assim como não é alemão "abundância da casa", "abundância da estufa", "abundância do banco", porém assim fala a mãe em casa e o homem comum: Wes das Herz voll ist, des gehet der Mund über ["A boca fala daquilo de que o coração está cheio"8]. Isto é falar um bom alemão, pelo que eu me esforcei, e infelizmente nem sempre consegui ou o encontrei. Pois as letras latinas dificultam muito a formulação para se falar em bom alemão.
Do mesmo modo, quando Judas o traidor diz em Mateus 26, 8: "Vt quid perditio haec?" ["A troco de que esse desperdício?"9] E em Marcos 14, 4: "Vt quid perditio ista unguenti facta est?" ["A troco de que esse desperdício do perfume?"10]. Se eu fosse seguir os asnos e os literalistas, eu deveria traduzir assim: Warum ist diese Verlierung der Salben geschehen? ["Por que aconteceu esta perdição de bálsamo?"] Mas que alemão é este? Que alemão fala desta forma: "Aconteceu a perdição do bálsamo?" E se ele entendesse corretamente, isso acreditaria ele, o bálsamo estaria perdido e teria que ser novamente buscado; embora isto também ainda soe obscuro e incerto. E se isto é um bom alemão, por que eles não se apresentam e nos fazem um novo, distinto e belo Testamento em alemão e deixam de lado o Testamento de Lutero ? Acredito mesmo que eles deveriam revelar sua arte. Mas o homem alemão fala assim ("Vt quid" etc.): Was soll doch solcher Unrat, ou, Was soll doch solcher Schade? Nein, es ist schade um die Salbe ["Que bobagem é essa?", ou, "Pra que isso?", "Não, que pena pelo bálsamo!"]; isto é um bom alemão, e assim se entende que Madalena se portou inapropriadamente e esbanjou derramando o bálsamo; era a opinião de Judas, que imaginava fazer um uso melhor.
Igualmente quando o anjo saúda Maria e fala: Gegrüßet seist du, Maria voll Gnaden, der Herr mit dir ["Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo"11]. Pois bem, até agora isto foi simplesmente traduzido segundo as letras latinas. Mas diga-me se algo assim também é um bom alemão. Onde é que um homem alemão fala desta forma: Du bist voll Gnaden ["estás cheia de graça"]? Que alemão entende o que significa voll Gnaden ["cheia de graça"]? Ele deve pensar num barril cheio de cerveja, ou num saco cheio de dinheiro; por isso eu traduzi: Du Holdselige ["agraciada"], com o que um alemão pode imaginar muito melhor o que o anjo quer dizer com sua saudação. Mas aqui os papistas se enfurecem comigo porque eu teria pervertido a saudação angelical, muito embora eu com isso ainda não tenha encontrado o melhor alemão. Se eu tivesse aqui tomado o melhor alemão e traduzido a saudação: Gott grüße dich, du liebe Maria ["Deus te saúda, querida Maria"] (pois isto tudo o anjo quer dizer, e assim ele teria falado, se tivesse querido saudá-la em alemão), creio que eles mesmos se enforcariam por excesso de zelo para com a querida Maria, porque eu teria aniquilado a saudação .
Mas que me importa se eles vociferam ou se enfurecem? Não pretendo impedir que eles traduzam o que quiserem em alemão; mas pretendo também eu traduzir em alemão, não como eles querem, mas como eu quero. Quem não gostar, que me deixe em paz e guarde sua maestria para si, pois não quero vê-la nem ouvi-la; eles não precisam responder à minha tradução nem prestar contas dela. Você está ouvindo bem: eu quero dizer: du holdselige Maria, du liebe Maria ["agraciada Maria, querida Maria"], deixe-os dizerem: Du voll Gnaden Maria ["Maria cheia de graça"]. Quem sabe alemão, sabe bem quão delicada palavra é esta que vai ao coração: querida Maria, querido Deus, querido imperador, querido príncipe, querido homem, querida criança. Eu não sei se se pode expressar a palavra liebe ["querido, amado"], de tanta cordialidade e plenitude, também em latim ou em outras línguas, de forma que igualmente penetre e ressoe no coração através de todos os sentidos, como o faz em nossa língua.
Pois eu considero que São Lucas, enquanto um mestre nas línguas hebraica e grega, quis fazer a palavra hebraica, na forma como o anjo a utilizou, corresponder à grega kexaritwme&nh e torná-la clara. Imagino que o anjo Gabriel falou com Maria como fala com Daniel, chamando-o hamudoth e isch hamudoth12, uir desideriorum, ou seja, "querido Daniel". Pois esta é a maneira de Gabriel falar, como vemos em Daniel. Se eu fosse traduzir em alemão a palavra do anjo conforme a arte dos asnos, segundo a letra, eu teria que dizer: Daniel, du Mann der Begierungen ["Daniel, homem dos apetites"] ou Daniel, du Mann der Lüste ["Daniel, homem dos desejos"]. Oh, que belo alemão! Um alemão entende bem que Mann, Lüste, ou Begierungen são palavras alemãs, embora não sejam palavras totalmente próprias alemãs, melhor estariam se no singular Lust e Begier. Mas quando são unidas deste modo: Du Mann der Begierungen, nenhum alemão sabe o que se disse, e acredita que Daniel talvez esteja cheio de desejos maus. Esta seria uma delicada tradução! Por isso aqui eu tenho que abandonar as letras e investigar como o homem alemão expressa isso que o homem hebraico denomina Isch hamudoth: então eu reconheço que o homem alemão fala assim: "querido Daniel", "querida Maria", ou "agraciada jovem", "graciosa donzela", "doce mulher" e semelhantes. Pois quem quiser traduzir deve possuir um grande acervo de palavras, a fim de que possa ter à mão a melhor quando uma delas não soar bem em nenhum lugar.
Mas para que falar tanto e tanto tempo sobre tradução? Se eu fosse assinalar as causas e as reflexões sobre todas minhas palavras, provavelmente teria que escrever durante todo um ano. Que arte e trabalho é a tradução experimentei muito bem! Por isso não vou tolerar como juiz ou crítico nenhum asno papista ou mulo, que nunca tentaram nada. Quem não quer minha tradução que a deixe estar. O diabo agradece aquele que não gosta dela ou a aperfeiçoa sem minha vontade e conhecimento. Se deve ser aperfeiçoada, quero fazê-lo eu mesmo. Se eu mesmo não o faço, deixem-me em paz com minha tradução, e que cada um faça o que quiser para si mesmo e passe bem!
Posso afirmar com a consciência tranqüila que dediquei a ela minha mais alta fidelidade e diligência, e nunca tive falsas intenções, pois não aceitei, nem procurei, nem ganhei qualquer centavo por isso. Da mesma forma, não busquei nela minha honra, sabe-o Deus, meu Senhor, porém a fiz por serviço aos amados cristãos e para honra daquele que está sentado no alto, e que em todas as horas tanto bem me faz, que mesmo se eu tivesse traduzido mil vezes tanto e tão diligentemente, não mereceria contudo viver por uma hora ou ter um olho são: tudo deve-se à sua graça e misericórdia, também o que eu sou e tenho, sim, deve-se a seu precioso sangue e amargo suor; por isso, tudo, pela vontade de Deus, deve servi-lo para sua honra, com alegria e de coração. Se os embusteiros e os papistas me difamam, me louvam os cristãos piedosos junto a Cristo, seu Senhor, e eu também estaria ricamente recompensado se fosse apenas um único cristão a me considerar um trabalhador leal. Não me preocupam os asnos papistas, que não são dignos de avaliar meu trabalho, e eu lamentaria do fundo do coração se eles me absolvessem. Sua calúnia é minha maior fama e honra. Contudo, quero ser um doutor, e até um doutor exemplar, e eles não hão de tomar-me este nome até o dia do juízo final, disso tenho certeza.
Por outro lado, não abandonei completamente a letra, mas observei-a com grande cuidado junto a meus ajudantes, de maneira que, quando necessário, mantive-a e dela não me afastei tão livremente; como em João 6, 27, onde Cristo fala: Diesen hat Gott der Vater versiegelt ["A este, Deus Pai o selou"]. Certamente teria sido um alemão melhor: Diesen hat Gott der Vater gezeichnet, ou, diesen meinet Gott der Vater ["A este, Deus Pai o marcou", ou, "A este, referiu-se Deus Pai"]. Mas preferi corromper a língua alemã a negligenciar a palavra. Ah, a tradução não é em absoluto uma arte para qualquer um, como acreditam os santos insensatos!; a ela pertence um coração reto, piedoso, fiel, diligente, temente, cristão, erudito, experiente, treinado. Por isso penso que nenhum falso cristão ou espírito sectário sabe traduzir fielmente, como se depreende da tradução dos Profetas, em Worms13, em que certamente se aplicou grande diligência e observou-se muito meu alemão. Mas havia judeus presentes, que não mostraram muita benevolência para com Cristo; no demais houve suficiente arte e cuidado.
Isto é o que havia para ser dito quanto à tradução e à propriedade das línguas. Eu, porém, não confiei somente na propriedade das línguas e a observei ao acrescentar solum, "somente", em Romanos 3, 28, mas também o texto e o pensamento de São Paulo o exigem e o reclamam com força; pois ele trata ali mesmo do elemento principal da doutrina cristã, ou seja, que nós somos salvos pela fé em Cristo, sem qualquer obra da lei; e exclui todas as obras tão claramente que chega a dizer que as obras da lei (que obviamente é a lei e a Palavra de Deus) não colaboram para a salvação; e dá como exemplo Abraão, que foi salvo tão isento das obras que, inclusive a maior delas, que então fora um novo mandamento de Deus acima de todas as outras leis e obras, a saber, a circuncisão, não lhe ajudou para a salvação, mas foi salvo pela fé, sem a circuncisão e sem qualquer obra, como ele fala no capítulo 414: "Se Abraão foi salvo pelas obras, ele pode se vangloriar, mas não diante de Deus". Pois bem, onde se exclui tão completamente todas as obras – e esse deve ser o sentido de que somente a fé salva – e quer-se falar claramente e diretamente de uma tal exclusão das obras, tem-se que afirmar: Somente a fé e não as obras nos salvam. Isso é exigido pela própria questão além da propriedade da língua.
Sim, eles dizem que soa escandaloso e com isso as pessoas aprendem que não precisam fazer boas obras. Mas meu caro, o que se lhes pode responder? Muito mais escandaloso é o fato de que o próprio São Paulo não diga somente a fé, mas descarregue ainda mais duramente encerrando a questão: sem as obras da lei, e em Gálatas 2, 16: não pelas obras da lei, e semelhantes em outras passagens. A expressão somente a fé ainda admitiria um comentário, mas a expressão sem as obras da lei é tão dura, escandalosa e abominável, que não pode ser amenizada com nenhum comentário. Muito mais poderiam as pessoas aprender com isso a não fazerem boas obras, pois elas ouvem das próprias obras pregar com palavras tão duras e fortes: Nenhuma obra, sem obras, não pelas obras. Se não é escandaloso que se pregue: Sem obras, nenhuma obra, não pelas obras, por que seria escandaloso então pregar somente a fé?
É algo ainda mais escandaloso que São Paulo rejeite não apenas obras simples e comuns, mas também as da própria lei. Com isso alguém bem poderia irritar-se ainda mais e dizer que a lei é condenada e maldita diante de Deus e se deveria fazer só o mal, como se dizia em Romanos 3, 8: "Façamos o mal para que se torne o bem", como começou a fazer também um espírito sectário em nossa época. Por causa de um tal escândalo se deveria então renegar a palavra de São Paulo ou não falar francamente e livremente da fé? Meu caro, precisamente São Paulo e nós desejamos tais escândalos e é esta a única razão por que pregamos tão fortemente contra as obras e insistimos somente na fé, a fim de que as pessoas se escandalizem, tropecem e caiam para poderem aprender e saber que não se santificam através de suas boas obras, mas somente pela morte e ressurreição de Cristo. Se elas não podem se santificar pelas boas obras da lei, muito menos poderão se santificar pelas más obras e sem a lei. Disso não se pode concluir que se as boas obras não ajudam, as más obras ajudam, assim como não se pode concluir que se o sol não pode ajudar o cego a ver, então a noite e a escuridão hão de ajudá-lo a ver.
Tradução de Mauri Furlan

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA





SIMÃO RECEBE UM NOVO NOME.


158. Um dia Nosso Senhor teve ocasião de frisar o contraste entre o entre o homem sábio que EDIFICOU a sua casa sobre ROCHA; e veio a chuva e transbordaram os rios e assopraram os ventos e combateram aquela casa e ela não caiu, porque estava FUNDADA sobre a rocha (Mateus 7,24-25); e o homem sem consideração que edificou a sua casa sobre a areia; e veio a chuva e transbordaram os rios e assopraram os ventos e combateram aquela casa, e ela caiu e foi grande a sua ruína (Mateus 7,26-27).

Ora, Nosso Senhor mesmo nos ensina que a sua obra, fundando e organizando a Igreja, é semelhante à obra de um homem levantando um edifício: EDIFICAREI a minha Igreja (Mateus 16,18).

Foi por isto que Ele, logo quando viu a Pedro pela primeira vez, depois de olhar para o seu futuro Apóstolo de uma maneira tão significativa e profunda que o Evangelista registrou este olhar, lhe mudou o nome de Simão para Cefas. “E Jesus, depois de OLHAR para ele, disse: tu és Simão, filho de Jonas, tu serás chamado Cefas, que quer dizer Pedro” (João 1,42).

Se Jesus fosse um simples homem, não deixaria de causar estranheza o fato de um homem ver a outro pela primeira vez e ir imediatamente mudando o seu nome. Mas Jesus era Deus. Conhecia perfeitamente todos os segredos das almas e todos os acontecimentos do futuro. Sabia muito bem o que ia fazer. E também não fazia nenhuma ação inútil, nem sem significação.

Nem era a primeira vez, Na Bíblia, que Deus mudava o nome de uma pessoa, antes de lhe confiar uma missão importante. O mesmo acontecera com Abraão. A princípio ele se chamava Abrão que quer dizer pai excelso, ou que pensa em coisas excelsas. Deus lhe mudou o nome para Abraão, isto é, pai de uma excelsa multidão, ou pai de muitos excelsos: “Daqui em diante não te chamarás mais Abrão; mas chamar-te-ás Abraão, PORQUE EU TE TENHO DESTINADO PARA PAI DE MUITAS GENTES. E farei crescer a tua posteridade infinitamente e te farei chefe das nações e de ti sairão reis” (Gênesis 17,5-60). “O nome de Abraão observa S. João Crisóstomo, é como a coluna que inscreve para a eternidade a promessa da posteridade e de uma prole fiel e eleita”.

Ora, na língua que Nosso Senhor falava, ou seja, o aramaico ou sírio-caldaico, a mesma palavra KEPHA com que Nosso Senhor designou menor alteração. O mesmo acontece na língua francesa em que Pierre serve para designar um homem chamado Pedro, como serve também para significar pedra. Um caso semelhante acontece na nossa língua, em que um homem poder ser conhecido por Rocha (Sr. Rocha, Dr. Rocha) e a mesma palavra Rocha quer dizer pedra.

Por isto, tanto o Evangelista podia ter dito: tu serás chamado Cefas que quer dizer Pedro, como podia ter dito: tu serás chamado Cefas que quer dizer pedra; porque Cefas significava uma coisa e outra. Preferiu dizer que Cefas significa Pedro, para mostrar a que nome próprio de pessoa correspondia o nome imposto a Simão.

Jesus não explicou na mesma hora qual o motivo por que fazia aquela mudança de nome; era cedo ainda para isto, deixou para explica-lo solenemente mais tarde, como verdadeiro prêmio de uma bela profissão de fé.

PEDRO, PEDRA FUNDAMENTAL DA IGREJA.

159. Um dia Jesus faz aos seus discípulos uma pergunta; quer saber o que é que dizem os homens a respeito dEle: “ quem dizem os homens que é o Filho do Homem? ( Mateus 16,13). E eles responderam: uns dizem que João Batista, mas outros que Elias e outros que Jeremias ou algum dos profetas ( Mateus 16,14). Mas Jesus lhes perguntou: E vós quem dizeis que sou eu? ( Mateus 16,16). A questão foi, portanto, apresentada por Jesus de propósito, de ânimo pensado, a fim de provocar a confissão de Pedro. Os outros Apóstolos calam e hesitam, com receio de dizer alguma coisa que não seja bem expressiva, que não seja inteiramente exata. Pedro porém, o mais fervoroso, o mais decidido, o mais ilustrado por Deus, antes que alguém dê uma resposta fraca e inadequada e falando com convicção de que se reveste o bom aluno quando sabe qual a resposta que quer o seu mestre, responde por eles: Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo ( Mateus 16,16). Tu és o Cristo, ou seja, és o Messias prometido. És mais do que isto: és o filho de Deus vivo, Segunda Pessoa igual ao Pai, filho de Deus por natureza.

Cristo gostou imensamente da resposta de Pedro, a qual era um sinal de que Deus iluminava de maneira toda particular aquele espírito simples e bem formado de rude pescador. E já que Pedro disse tão brilhantemente que é Cristo, qual é a sua missão, qual é a sua grandeza, Jesus Cristo vai dizer, em retribuição, quem é Pedro, qual o seu cargo, quais são as suas prerrogativas. Pedro é a pedra sobre a qual Jesus vai construir a sua Igreja; vai ter nesta Igreja o supremo poder, pois Cristo lhe dará as chaves do Reino dos Céus, com plenos poderes para ligar e desligar.

Desde que, como dissemos na língua que Jesus falava a mesma palavra KEPHA quer dizer Pedro e quer dizer pedra percebe-se perfeitamente o trocadilho usado por Nosso Senhor: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, trocadilho este que se exprime exatamente na língua francesa:

Tu és PIERRE et sur cette PIERRE JE BÂTIRAI MON Église.

O siríaco é uma língua irmã do sírio-caldaico ou aramaico, que Jesus falou, de modo que diz o comentador M. J. Lagrange: “As versões siríacas têm uma muito grande importância para a exegese do Novo Testamento, porque de certo modo nos fornecem a expressão primitiva dos catequistas e, sobretudo das palavras e, sobretudo das palavras de Nosso Senhor”. Pois bem, as versões siríacas, tanto a chamada Peshitta que é usada oficialmente pelos cristãos sírios, católicos e acatólicos, como a chamada Cureton pelo nome daquele que a descobriu e divulgou, trazem a mesma forma para as 2 palavras: Pedro e pedra; pois no siríaco (língua, repetimos, muito semelhante àquela que Jesus falou) KIPHA é Pedro e KIPHA é pedra. Na versão persa e na etiópica também é exatamente a mesma palavra para designar Pedro e para designar pedra, mostrando-se assim o trocadilho tão perfeitamente como sem mostra no francês.

Embora nossa língua não exprima com tanta perfeição, como o francês, o trocadilho usado por Nosso Senhor, todavia que lê o texto português o percebe logo facilmente, pois entre nós até as crianças sabem que Pedro quer dizer pedra. Também no grego o substantivo apelativo PÉTROS quer dizer pedra. Veja-se o dicionário de Bailly que assinala pedra, rochedo (pierre, rocher) como os 2 únicos significados desta palavra. Se o intérprete grego chamou a Pedro PÉTROS e não PÉTRA, é porque no grego os nomes próprios masculinos terminam em regra geral em as,es,is,os,us.

O que se deu na língua falada por nosso Senhor foi o que se teria dado na nossa língua p.ex., se um homem tivesse imposto a outro o nome de rocha, para depois dizer-lhe abertamente: Tu és a ROCHA e sobre esta ROCHA é que vou edificar a associação que quero instituir. Sendo que nos lábios de Nosso Senhor o trocadilho ainda foi mais perfeito, porque em sírio-caldaico ou aramaico a palavra KEPHA é sempre masculina, ou signifique Pedro ou signifique pedra: Tu és KEPHA e sobre esta KEPHA edificarei minha Igreja.

É natural a luta dos hereges para tentar desfazer o valor deste texto de suma importância para se conhecer qual é a VERDADEIRA IGREJA, porque, como diz o teólogo acatólico Palmer: “a doutrina a respeito do primado do Bispo de Roma sobre a Igreja Universal é o eixo, em torno do qual giram todas as controvérsias entre a Igreja Romana e as demais igrejas, porque se Cristo Nosso Senhor instituiu um primado ex-ofício de algum Bispo na Igreja Católica, primado este que deva perdurar, e se este primado o herdou o Bispo de Roma, daí se segue que a Igreja Universal se reduz a uma só Igreja, de obediência romana; e os concílios, doutrina e tradições desta Igreja são revestidos de autoridade para todo mundo cristão”. (p.7 de Romano Pontífice c. 1).

Nada mais compreensível, portanto do que o esforço dos protestantes, procurando violentar o texto, querendo afirmar que aquelas palavras se referem a todos os Apóstolos, pelo fato de ter falado Pedro em nome de todos eles: Ou que se referem à fé, e não a Pedro; ou que aquela pedra, de que aí se trata não é Pedro, mas o próprio Cristo.

Mas Nosso Senhor faz tudo sempre bem feito. Ele tomou tantas precauções para mostrar que se referia diretamente e exclusivamente à pessoa de Pedro, que, como observa o Cardeal Mazzella, “os notários, quando fazem documentos públicos e querem designar uma certa e determinada pessoa, não usam de mais minúcias do que usou Jesus Cristo”.

“Bem - aventurado és SIMÃO, FILHO DE JOÃO” (Mateus 16,17). Cristo lhe dá o nome de nascimento e lhe acrescenta o nome do pai, para não se confundir com outros;

“Porque não foi a carne e sangue quem te revelou, mas sim meu Pai que está nos Céus” – fala numa revelação oculta feitas diretamente a Pedro;

Cristo vai fazer também a Pedro uma revelação contínua insistentemente tratando por TU, insistentemente tratando por Tu, insistentemente mostrando que fala só a Pedro: Também eu TE digo que TU és Pedro (Mateus 16,18) – para que ainda não se confunda com nenhum outro, acrescenta-lhe o nome especial que deu a Simão e vai explicar o motivo por que lhe impôs este nome:

“E sobre ESTA PEDRA edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”- a palavra ESTA mostra claramente que Ele se refere a um termo usado anteriormente que no caso é o termo Pedro que quer dizer: Pedra ( Pedro e pedra era a mesmíssima palavra na língua que Jesus estava falando); e continua Cristo dirigindo-se exclusivamente a Pedro, como se prova pelo contínuo emprego de TU:”Eu TE darei as chaves do reino dos Céus; e tudo o que LIGARES sobre a terra será ligado também nos Céus, e tudo o que DESATARES sobre a terra será desatado também nos céus ( Mateus 16,19).

Os protestantes passaram muito tempo sustentando que na frase – “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” – “esta pedra” se referia a Cristo e não a Pedro. Depois é que muitos deles resolveram desistir dessa interpretação, por eles mesmos, considerada antigramatical e por demais TORCIDA e ILÓGICA (destaque do administrador).

No meio de um discurso que se refere, todo ele, a Pedro (Bem aventurado és... Eu te digo... Tu és Pedro... Eu te darei... Tudo quanto ligares...) aquela expressão – sobre esta pedra – só podia referir-se a Simão, que por Cristo foi chamado especialmente KEPHA, isto é, pedra. Do contrário Cristo estaria ludibriando a S. Pedro; deu-lhe o nome de pedra, mas Pedro não o seria. Cristo o teria chamado pedra só para levá-lo na troça; na hora de lhe explicar por que motivo lhe dera este nome, teria dito que a pedra era só Ele, Cristo e ninguém mais.

Além disto, para justificar sua interpretação, os protestantes são obrigados a inventar uma hipótese que não consta absolutamente do texto, ou seja, que Jesus dizendo – “esta pedra” APONTOU COM O DEDO PARA SI PRÓPRIO. Além da falta de nexo, de ilação entre as palavras: Eu te digo que TU és Pedro – e as outras: sobre esta pedra que sou eu (é claro que devia ser: que és tu) edificarei a minha Igreja; como provam os protestantes, os quais admitem só o que está na Bíblia, que Cristo apontou com o dedo para si próprio?

Respondem eles: Isto não é preciso provar, porque também Cristo disse: “Desfazei esta templo e eu o levantarei em três dias” (Jo 2,19), certamente apontou para si próprio e o Evangelista não o diz.

Sim, o evangelista não disse que Cristo apontou para si próprio, porém fez ainda melhor: explicou bem claramente a que templo se referia Jesus: “Mas ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2,21). Se Cristo dizendo – sobre esta pedra – se referisse a si próprio, S. Mateus deveria explicá-lo claramente, porque dentro daquelas palavras todas dirigidas exclusivamente a São Pedro, não haveria ninguém de bom senso que fosse capaz de decifrar semelhante enigma.

(CONTINUA...)













sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

ORAÇÃO DO ABANDONO

(Beato Charles de Foucould)

Meu Pai
A Ti me abandono
Faze de mim o que quizeres
O que de mim fizeres
Eu te agradeçoEstou pronto para tudo
Aceito tudoContanto que a tua vontade
Se faça em mim
E em todas as tuas criaturas
Não quero outra coisa meu Deus
Entrego a minha vida
Em tuas mãos,
Eu a dou meu Deus
Com todo o amor
Do meu coração
Porque eu te amo
E porque é para mim
Uma necessidade de amor
Dar-me,
Entregar-me em tuas mãos
Sem medida
Com infinita confiança
Porque Tu és meu Pai

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

SERMÃO DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY SOBRE O PURGATÓRIO

Sobre o Purgatório
Por que será que eu me encontro de pé hoje nesse púlpito, meus caros irmãos? O que será que eu venho dizer para vocês? Ah! Eu venho em nome do próprio Deus. Eu venho em nome de seus pobres pais, para despertar em vocês aquele amor e gratidão que vocês lhes devem . Eu venho pra refrescar nas suas memórias novamente, toda a ternura e todo o amor que eles deram a vocês enquanto eles ainda estavam sobre essa terra. Eu venho pra dizer a vocês que eles sofrem no Purgatório, que eles choram e reclamam com urgentes gritos o auxílio de suas orações e boas-obras. Eu os tenho visto gritando das profundezas daquelas chamas que os devoram: -"Digam aos nossos amigos, aos nossos filhos, aos nossos parentes, como é grande o mal que eles estão nos fazendo sofrer. Nós nos atiramos aos seus pés para implorar o auxílio de suas orações! Ah! Diga -lhes que desde que nós fomos separados deles, nós temos estado queimando em chamas! Oh! Quempoderia permanecer tão indiferente diante dos sofrimentos que estamos enfrentando!" Você vê, meu caro irmão, você escuta aquela terna mãe, aquele pai devotado e todos aqueles parentes que lhe ajudaram e fizeram parte de sua vida? Meus amigos, eles gritam: -"Livrai-nos dessa dor, você pode!" Considerem então meus caros amigos: 1°- A magnitude desses sofrimentos pelos quais passam as almas do purgatório e 2°- os meios dos quais dispomos para mitigar esses sofrimentos: nossas boas obras, nossas orações e acima de tudo, o santo sacrifício da Missa. Eu não quero parar neste estágio para provar a existência do Purgatório, pois isso seria uma perda de tempo. Espero que nenhum de vocês tenha a menor dúvida a este respeito. A Igreja, à qual Jesus Cristo prometeu a guia do Espírito Santo e a qual, conseqüentemente, não pode se enganar nem nos enganar, ensina-nos sobre o Purgatório de um modo bem claro e positivo. Isto é uma certeza mais que certa, de que lá é um lugar onde as almas dos justos completam a expiação por seus pecados, antes de serem finalmente admitidas na glória do Paraíso, o qual, diga-se de passagem, já está assegurado a elas. Sim meus caros irmãos, isto é um artigo de Fé: se nós não tivermos feito penitência proporcional à gravidade de nossos pecados, ainda que tenhamos sido absolvidos no Sagrado Tribunal da Confissão, nós seremos obrigados a expiar por eles. Nas Sagradas Escrituras há muitos textos que mostram claramente, que embora nossos pecados possam ser perdoados, Deus ainda impõe-nos a obrigação de sofrer neste mundo duros trabalhos temporais ou no próximo através das chamas do Purgatório.Veja o que aconteceu com Adão. Porque ele se arrependeu logo depois de ter cometido o pecado original, Deus garantiu a ele que o havia perdoado,mas ainda assim Ele o condenou a passar nove séculos sobre esta terra fazendo penitência. Penitências que ultrapassam qualquer coisa que possamos imaginar:..."maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de sua vida. Ela te produzirá espinhos e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que fostes tirado; porque és pó, e em pó te hás de tornar..."(Gênesis 3.17). Veja novamente: Davi ordenou, contrariando a vontade de Deus, que se fizesse o recenseamento de Israel. Atingido pelo remorso de consciência, ele reconheceu o seu pecado, atirou-se ao chão suplicando ao Senhor que o perdoasse. Conseqüentemente, Deus tocado pelo seu arrependimento, o perdoou. Mas apesar disso,ele enviou Gad para dizer a Davi que ele teria que escolher entre 3 tipos de punições que Ele havia preparado para Davi reparar pelo seu pecado: a peste,a fome ou a guerra. Davi então respondeu: "Ah! Caia eu nas mãos do Senhor, porque imensa é a sua misericórdia; mas que eu não caia nas mãos do homem..."(ICrônicas 21). Ele escolheu a peste e esta durou apenas 3 dias, mas matou 7 mil pessoas de seu povo. Se o Senhor não tivesse detido a mão do Anjo que estava estendida sobre Israel, Jerusalém inteira teria ficado despovoada! Davi ao ver todo omal causado pelo seu pecado, implorou a graça de Deus pedindo que Deus punisse apenas ele mesmo, mas que poupasse o seu povo que era inocente. Vejam também as penitências de Santa Maria Madalena! Quem sabe não sirvam para amolecer um pouco seus corações?Meus caros irmãos, o que serão então, o número de anos que nós teremos que sofrer no Purgatório, nós que cometemos tantos pecados e que sob o pretexto de já o termos confessado, não fazemos penitências e nem choramos por eles? Quantos anos de sofrimento nos esperam na próxima vida?Como poderia eu pintar um quadro dos sofrimentos que essas pobres almas suportam, quando os santos padres da Igreja dizem-nos que os tormentos que elas sofrem são comparáveis ao que passou Nosso Senhor Jesus Cristo durante sua dolorosa paixão? Uma coisa é certa, se o menor sofrimento que Nosso Senhor suportou tivesse sido compartilhado por toda a humanidade, todos estariam mortos devido à violência de seus sofrimentos. O fogo do Purgatório é o mesmo que o fogo do Inferno. A diferença entre eles é que o fogo do Purgatório não é eterno.Oh! Se Deus permitisse que uma daquelas pobres almas que está mergulhada nas chamas, aparecesse agora neste lugar, toda envolvida pelas chamas que a consome e desse ela mesma um recital dos sofrimentos que ela está suportando! Toda essa Igreja, meus caros irmãos, seria sacudida pelo eco de seus gritos e soluços e talvez quem sabe isso amoleceria os seus corações? Esta pobre alma nos diria: - "Como nós sofremos! Ó irmãos, livrai-nos desses tormentos! Ah, se vocês pudessem experimentar o que é viver separado de Deus!... Cruel separação! Queimar no fogo aceso pela justiça de Deus!.. Sofrer dores incompreensíveis para a mente humana!... Ser devorado pelo remorso, sabendo que poderíamos facilmente ter evitado esses tormentos!... Oh! Meus filhos!- gritam os pais e as mães- como podem vocês nos abandonar nessas horas, nós que tanto osamamos quando estávamos sobre essa terra! Como vocês podem ir dormir tranqüilamente em suas camas, enquanto nós queimamos em uma cama de fogo? Como vocês tem coragem de se entregar aos prazeres e alegrias, enquanto nós sofremos e choramos dia e noite? Vocês herdaram nossos bens, nossas propriedades, vocês se divertem com o fruto de nossos trabalhos, enquanto nós sofremos males tão indescritíveis e por tantos anos!.. E não são capazes de oferecer uma pequena oração em nossa intenção, nem uma simples Missa que tanto ajudaria para nos livrar dessas chamas!... Vocês podem aliviar nosso sofrimento, vocês podem abrir nossas prisões e vocês simplesmente nos abandonam. Oh! Quão cruel são estes sofrimentos!..."Sim meus irmãos, as pessoas julgam de um modo muito diferente, o que é estar nas chamas do Purgatório por todas essas culpas leves. Se é que é possível chamar de "leve" algo que nos faz suportar punição tão rigorosa! Que espanto seria para o homem, grita o profeta real, se mesmo o mais justo dos homens fosse julgado por Deus sem nenhuma misericórdia! Se Deus achou manchas até no sol e malícia nos anjos, o que será então do homem pecador? E para nós que cometemos tantos pecados mortais e praticamente não fazemos nada para satisfazer a justiça de Deus. Quantos anos de Purgatório! Meu Deus!-disse Santa Tereza de Ávila- "que alma seria suficientemente pura para entrar diretamente no Céu sem ter que passar pelas chamas da justiça?" Em sua última doença, ela de repente gritou: "Oh Justiça e Poder do meu Deus, quão terrível sois!" Durante sua agonia, Deus permitiu que ela contemplasse por alguns segundos a Sua Santidade, assim como os anjos e os santos do Céu O contemplam. E isso causou nela um pavor tão grande, que ela se pôs a tremer e ficou agitada de um modo tão extraordinário que as irmãs perguntaram-lhe chorando: -"Ah! Madre, o que está se passando? Certamente que a senhora não teme a morte depois de tantos anos de penitência e lágrimas amargas!" - Não, minhas filhas, eu não temo a morte, muito pelo contrário, eu a desejo porque só assim estarei unida eternamente a Deus. - Oh! Madre, seriam os teus pecados então, que ainda te aterrorizam depois de tantas mortificações? - Sim minhas filhas- respondeu Tereza- eu temo pelos meus pecados, mas temo por algo ainda maior! - Seria então, o julgamento? - Sim, eu temo pela formidável conta que terei que prestar diante de Deus. Principlamente porque nesse momento seremos julgados pela justiça e não pela misericórdia. Mas tem algo que ainda me faz morrer de terror. As pobres irmãs já estavam profundamente angustiadas. - Madre, seria por acaso o Inferno? -Não -respondeu ela - O inferno, Graças a Deus não é pra mim. Oh! Minhas filhas, é a Santidade de Deus. Meus Deus, tende misericórdia de mim! Minha vida será confrontada face a face com o próprio Cristo! Ai de mim se eu tiver a menor mancha ou falha! Ai de mim, se eu tiver a menor sombra de pecado! - Ai de nós! - gritaram as pobres irmãs - O que será então no dia das nossas mortes?O que será então de nós, meus caros irmãos? Nós que talvez em todas as nossas penitências e boas obras, talvez nunca tenhamos conseguido satisfazer por um único pecado perdoado no tribunal da Confissão? Ah! Quantos anos e séculos de tormento para nos punir?... Vamos pagar muito caro por todas essas "pequenas falhas" que nós vemos como algo que não tem a menor importância, como aquelas "pequenas mentirinhas" que nós falamos para evitar problemas para nós mesmos, aqueles pequenos escândalos, o desprezo pelas graças que Deus nos concede a cada momento, aquelas pequenas murmurações nas dificuldades que Ele nos envia! Não, meus caros irmãos, nós não teríamos nunca a coragem de cometer o menor pecado, se pudéssemos entender o quanto isto ultraja a Deus e o quão merecemos ser rigorosamente punidos, já ainda nesse mundo.Meus irmãos, Deus é justo em tudo que Ele faz. Quando Ele recompensa-nos até pela menor boa ação que fazemos, Ele nos dá muito mais do que qualquer um de nós merecemos. Um bom pensamento, uma boa ação, um bom desejo, ou seja, o desejo de fazer uma boa obra, mesmo quando não somos capazes de fazê-la, Ele nunca nos deixa sem uma recompensa. Mas também, quando se trata de uma matéria de punição, isto é feito com o maior rigor e ainda que tenhamos a menor falta seremos enviados para o Purgatório. Isto é verdade absoluta e nós comprovamos isto pela vida dos santos. Muitos deles não chegaram ao Céu, sem antes terem passado pelas chamas do Purgatório.São Pedro Damião conta-nos que sua irmã permaneceu vários anos no Purgatório porque ela ouviu com prazer certos tipos de músicas. Conta-se também que dois religiosos fizeram um pacto um com o outro, acertando que quem morresse primeiro viria contar ao sobrevivente em que estado ele se encontrava. Deus permitiu que isso acontecesse e quando um deles morreu, apareceu ao seu amigo. Ele contou ao seu amigo que tinha permanecido 15 anos no Purgatório por seu orgulho de sempre querer fazer as coisas a seu modo. Então seu amigo o cumprimentou por ter permanecido lá por tão pouco tempo! O morto então respondeu: - Eu teria preferido ser queimado vivo por 10 mil anos ininterruptos nessa terra, pois esse sofrimento nem poderia ser comparado com o que eu sofri 15 anos naquelas chamas! Um sacerdote contou a um de seus amigos que Deus o havia condenado a permanecer no Purgatório por vários meses, por ter segurado a execução de uma boa-obra que era Vontade de Deus que fosse feita. Coitados de nós, meus irmãos! Quantos de nós não temos faltas semelhantes? Quantos de nós recebemos a tarefa de nossos parentes e amigos de mandarmos celebrar Missas e dar esmolas e simplesmente fazemo-nos de esquecidos! Quantos de nós evitamos fazer boas-obras apenas por respeito humano? E todas essas almas presas nas chamas, porque não temos coragem de satisfazer seus desejos! Pobres pais e pobres mães, vocês agora estão sendo sacrificados pela felicidade de seus filhos e parentes! Vocês talvez tenham negligenciado sua própria salvação para construírem suas fortunas. E agora vocês estão sendo traídos pelas boas-obras que vocês deixaram de fazer enquanto ainda estavam vivos! Pobres pais! Quanta cegueira é esquecer de nossa própria salvação!Você talvez me dirá: -Nossos pais eram pessoas boas e honestas. Eles não fizeram nada de tão grave para merecerem essas chamas! Ah! Se vocês soubesses que eles precisavam de muito menos do que eles fizeram para cair nessas chamas! Vejam o que disse a esse respeito, Alberto, o Grande, um homem cujas virtudes brilharam de modo extraordinário! Ele revelou a um de seus amigos, que Deus o havia levado ao Purgatório por ter se orgulhado de um pensamento sobre seu próprio conhecimento. A coisa mais surpreendente foi que ali haviam verdadeiros santos, muitos que inclusive já tinham sido canonizados pela Igreja e que estavam passando pelas chamas do Purgatório.São Severino, Arcebispo de Colônia, apareceu a um de seus amigos muito tempo depois de sua morte e disse-lhe que ele havia passado um longo tempo no Purgatório por ter adiado pra de noite, as orações do breviário que ele devia ter recitado pela manhã.Oh! Quantos anos de Purgatório não passarão aqueles cristãos que não tem o menor escrúpulo em adiar suas orações para uma outra hora, apenas pela desculpa de terem algo mais importante a fazer! Se nós realmente desejássemos a felicidade de possuir a visão beatífica de Deus, nós evitaríamos tanto os pecados mortais como os veniais, uma vez que a separação de Deus constitui-se um tormento tão terrível para essas almas!
Retirado do livro "O Espírito do Cura D'Árs".